Informática – Curso ou Área?

Seguindo a linha de raciocínio traçada sobre a função da universidade, na tentativa de estabelecer melhor uma opinião mais completa sobre a regulamentação de TI, julgo interessante observar que a supersimplificação do currículo de cursos da área de informática são prejudiciais para o avanço da área.

A expansão da área de informática ganhou complexidade tal que se tornou impossível formar um generalista, capaz de conhecer todos os desdobramentos da TI. Não me refiro aqui a projeções de TI sobre outras áreas como ferramenta, mas às muitas disciplinas originadas do avanço da TI dentro de seus próprios domínios.

É bobagem considerar que um único (e alijado) currículo seja capaz de formar pessoas aptas a conduzir melhoria contínua em suas áreas (conforme concepção feita neste blog). Na tentativa de abarcar tanto a formação profissional quanto a extensão de uma única e imensa área, os cursos abandonaram aspectos fundamentais para a formação dessas pessoas. Filosofia e Método Científico, por exemplo, são sumariamente ignorados em diversos currículos.

Outros problemas surgem quando falamos em formações específicas. Um Analista de Sistemas em formação, julgo, em uma análise rápida, deveria necessariamente estudar semiótica, estética da recepção, teoria geral de sistemas e organização, sistemas e métodos – isso porque é fundamental a compreensão tanto da relação que os indivíduos travam com a informação como também o impacto que os sistemas (computacionais ou não) tem em organizações. Estou certo, também, que esse mesmo conjunto não pertence – total ou parcialmente – ao rol de formação em Inteligência Artificial.

Para resolver isso, é necessário que se faça algum tipo de reforma nos currículos, além da mudança de perfil das universidades. Um caminho seria que a formação fosse constituída de um currículo básico e de uma área de concentração. Outra opção, mais drástica, seria alçar a informática a uma nova área de Ciências Computacionais (não lembro onde vi esse nome).

Nesse sentido, a regulamentação de TI faria sentido pela possibilidade de atribuir responsabilidade aos profissionais de acordo com sua formação.

You may also like...

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *