Pirâmide Invertida?

Basta o “chão de fábrica” ter interesse em compartilhar conhecimento? Claro que não! A idéia disposta sobre a vontade de os associados “da linha de frente” trocar informações, serem ouvidos e tomar decisões pode lembrar o discurso de Jan Carlzon. No entanto, há uma pequena diferença entre seu discurso e a minha percepção.

A experência do dia-a-dia permite ao colaborador do “chão de fábrica” ter uma percepção diferente e intuições acertadas sobre como as coisas deveriam ser feitas para uma maior geração de valor. Quando o objeto do trabalho é software integrado a processos organizacionais, o cenário muda a cada oportunidade de construção de novo sistema. Surge, nesse momento, uma grande quantidade de variáveis que precisam ser estudadas.

Essas variáveis provavelmente já foram estudadas em contextos diferentes, por outras pessoas, dentro da organização. Há grande dificuldade em se descobrir o que, como, por quem e porque foi tomado determinado rumo no desenvolvimento de um software de características semelhantes ao problema atual.

Para que isso seja disponibilizado não basta a vontade de quem já viveu a experiência, mas um direcionamento comum, compartilhado por todos, independente da hierarquia – um “achatamento da pirâmide”. É preciso haver disciplina no processo de ensino-aprendizagem, para que não seja passado apenas um produto-solução, mas sim um contexto no qual uma solução surgiu, de forma que aquele que busca uma solução possa se guiar (e desviar, conforme julgue necessário, a partir das particularidades de seu contexto).

Thomas Edison, ao ser indagado sobre as tentativas sem sucesso de construir uma lâmpada, disse:

“We now know a thousand ways not to build a light bulb”

Hoje, temos diversos tipos de lâmpada cuja forma de funcionamento pode variar. No entanto, sabemos que todos os estudos posteriores ao de Edison que resultaram nessa vairedade de lâmpadas certamente não percorreram os 1000 caminhos de insucesso que ele já percorrera.

Quero ratificar com isso, a necessidade de compartilhamento não de soluções, mas de histórias de aprendizado, de lições contextualizadas onde se verifique os erros cometidos no processo de aprendizagem – divulgar o que, como, por quem e porque uma coisa foi feita, desde o seu surgimento (identificação do problema) até a sua solução. Para que isso seja feito, é preciso vontade, disciplina, processos e [preferencialmente] sistemas computacionais.

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