“Tácito” é um tipo de conhecimento?

Um conhecimento não pode ser categorizado como tácito ou explícito, como se costuma ouvir por aí. Isso porque simplesmente o conhecimento não é limitável/mensurável, principalmente quando não se é possível compreender sua participação em uma mobilização. Se assim o fosse, não teríamos problema algum com infometria.

O que chamamos de tácito é, na verdade, um “polo” do conhecimento. É algo imperceptível mobilizado para atingir um objetivo. Mas, para realizar um objetivo, uma série de outros elementos foram mobilizados conscientemente e esse sistema complexo, formado pelos polos tácito (zona proximal do conhecimento) e explícito (zona distal) e a correlação de seus elementos podem formar um único conhecimento – novamente, se fosse fácil separá-los, uma série de problemas hoje sem solução não existiriam.

Existe o clássico exemplo do martelo que torna mais claro esse bla-bla-bla todo. Quando você vai fixar um prego em alguma superfície, tem plena consciência de que superfície da ferramenta utilizar e do ponto que ela deve atingir – e sabe bem que deve tomar cuidado para não arrebentar os dedos (rs). Esse conjunto de informações é facilmente descrita e é mobilizada para o ato de martelar. Se não tiver ciência disso, não pode dizer que sabe martelar. No entanto isso não é tudo… Todo o movimento das articulações, o sentido de distância e a força aplicada fazem parte do todo, mas por mais que tentemos, não conseguiremos tornar totalmente clara sua participação, de forma que uma pessoa martele perfeitamente sem nunca antes ter praticado.

E quem nunca praticou – e portanto não expandiu o polo tácito do conhecimento de martelar – pode dizer que sabe? Deixo essa pergunta para reflexão por enquanto.

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